Dei ghosting em todas as minhas amigas (e você deveria fazer o mesmo)
· 4 min de leitura

Parece horrível, imaturo, ou que o problema sou eu. Mas a verdade é que não foi de repente. Foi um processo silencioso, aos pouquinhos, até que um dia eu me vi sozinha.
Para quem vê de fora, eu sou só uma amiga ruim que sumiu. Para mim, foi amadurecer.
Quando você é menina, acredita que as amizades são para sempre, que o amor é eterno e que o mundo é cor-de-rosa. Quando você é adulta, percebe que fazer uma faxina no seu círculo social é terapêutico.
Existem mil motivos para uma amizade acabar. Meu grupo era formado por quatro meninas além de mim. Para te contar o que aconteceu, o que eu aprendi e como saí dessa, vou mudar o nome delas.
1. A traíra (Antonella)
Era uma das minhas amigas mais próximas. Em plena adolescência, parece que ela não sabia controlar os hormônios e ficou com um cara com quem eu tinha saído. Óbvio que ela escondeu de mim, e eu fiquei sabendo por outra pessoa do grupo. (E enquanto escrevo isso, eu me pergunto: por que as outras sabiam e eu não?)
Enfim, ela quebrou o código mais básico de todos. Lealdade não se negocia. Tchau.
2. A distante (Florencia)
A gente se afastou naturalmente depois de terminar o colégio. Sem brigas nem drama. Simplesmente paramos de nos ver todo dia nas aulas e no recreio, que eram, sem a gente saber, a única coisa que sustentava o nosso vínculo.
Quando cada uma seguiu um caminho diferente, a inércia fez o resto e nunca mais nos vimos nem nos falamos.
3. A dos valores errados (Thalía)
Ela não se chama Thalía, mas tem nome de cantora.
Ela era a minha melhor amiga, a minha pessoa. Eu tinha certeza de que seria uma amizade para a vida toda; quase fizemos uma tatuagem juntas. Por isso mesmo foi o processo mais difícil, o término mais longo e doloroso. Até hoje eu penso nela e se deveria falar com ela, mas nunca falo.
Talvez a imaturidade a tenha levado por maus caminhos, a andar com pessoas com quem eu não me sentia à vontade e a se enfiar em ambientes que não eram para mim. Nossos valores mudaram, a amizade ficou desconfortável, os problemas eram frequentes; foi como um divórcio longo, com o luto vivido ainda durante a relação.
Eu corri atrás por um tempo, mas no fim desisti.
4. A que foi embora (Melina)
Ela se mudou para outra cidade por questões de família. No começo você promete manter contato, mas a vida real passa por cima. Cada uma com a sua vida e os seus dramas, ela se adaptando a uma rotina nova…
Parece que as mensagens de WhatsApp levam séculos para chegar quando vocês moram em lugares diferentes do país, mesmo sendo instantâneas. A gente se viu uma vez, quando ela conseguiu me visitar, e depois… tudo se desfez.
Nenhuma das duas se esforçou muito.
Por que eu criei este clube
De repente, estou no sofá escrevendo isto. Tenho uma amiga de infância com quem falo de tantos em tantos meses. Moro com meu namorado numa cidade nova onde não tenho amigas, não falo com os vizinhos, sou tímida (o que não ajuda em nada) e as minhas colegas de classe têm uma mentalidade de 1800 com a qual eu não me conecto nem um pouco.
Foi aí que eu entendi o maior aprendizado: ficar sozinha não é um fracasso. É o espaço que eu precisava para crescer, amadurecer, entender do que eu preciso, o que eu não vou mais aceitar e, finalmente, começar a construir um círculo de amigas que me represente.
O Besties Club não nasceu só porque tive uma ideia numa noite qualquer. Nasceu da minha própria experiência, nasceu porque eu sei que somos milhares de mulheres uruguaias passando por este mesmo momento, nos sentindo sozinhas na vida adulta, mas sem vontade de nos contentar com vínculos falsos.
Se você está lendo isto, é porque também não quer amizade de fachada. Você quer uma amizade real, forte, com mulheres que valham a pena.
Te convido a abrir um novo capítulo da sua vida com meninas que estão na mesma sintonia que você. O seu clube está te esperando.
